quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Quando o meu melhor amigo partiu

Dois anos…dois anos e quatro meses, para ser mais exacto, foi o tempo que tiveste em minha casa, e do teu passado nada sei. Foste acarinhado, foste tratado, foste amado…sim, acima de tudo foste amado, amado como se te tivesse conhecido a minha vida toda, como se tivesses nascido no seio da minha família. Foste isto tudo e muito mais, por todos aqueles que moravam na minha casa. Foste filho, foste irmão, foste companhia, mas principalmente, e acima de tudo…foste amigo. Um grande e bom amigo. Ao escrever estas palavras, faço um tremendo esforço para não chorar, pois infelizmente já não te encontras entre nós, e estas palavras são como que um desabafo, pois muita gente não compreenderá o amor que senti, e ainda sinto por ti, e tento colmatar a falta de falar com alguém, alguém que realmente me compreenda. A maioria das pessoas com quem eu falo e conto a tua história dizem coisas como - “a hora dele chegou” – “já não se pode fazer nada” – “temos pena mas a vida é assim, uma enorme injustiça”, sei que todas elas me tentam acalentar, mas todas elas me soam a barbaridades.
Todos os dias, até hoje, quando chego a casa tenho a sensação de que estás lá, os teus passos em direcção a mim, o teu carinho, os teus beijos, enfim, tudo o que me poderias dar de modo a expressares a alegria de me ver chegar a casa e de finalmente te poder abraçar. E por falar em beijos, os teus eram do mais sincero que podia haver, pois sei que nunca foram dados com qualquer tipo de malícia, e eram desejados fossem dados no momento que fossem, eram teus, e eu sabia que eram sinceros. A sinceridade já não é predominante nas pessoas, mas em ti ela abundava, provavelmente até demais, e talvez por isso te tenham feito o que fizeram, e agora penso…”ainda bem que o fizeram, pois só assim te pude conhecer”. Mas será que sempre assim foi? Não te conheci no período anterior a estes dois e grandiosos anos que tive na tua companhia, não sei se eras bom, mau, carinhoso, malvado…não sei, mas sei o que eras para mim e para a minha família. Muitas vezes penso que serias assim pelo facto de te termos abraçado no seio da nossa família, termos tirado da rua, termos dado todo aquele carinho que possivelmente nunca tiveste. Quem quer que te tenha abandonado, não sabe com certeza aquilo que tinha em casa, e felizmente eu soube, para minha grande alegria, dei-te tudo o que pude, e fiz tudo o que pude, e se não dei mais e não fiz mais foi porque a minha vida não o permitiu. Mas de uma coisa podes ter a certeza, adorei-te e continuo a adorar... a ti, meu amigo, o meu melhor amigo…o meu Pumba…o meu cão.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Organização Desorganizada

Sempre fui uma pessoa com...digamos...alguma organização...desorganizada. Se havia coisa que mais me chateva era quando a minha mão arrumava o meu quarto sem a minha presença. Quantas vezes eu chegava ao meu quarto e não encontrava aquela caneta que eu nunca utilizava, ou livro que só iria ler dali a não sei quanto tempo, ou procurava um par de calças debaixo da cama para usar no dia seguinte e afinal já estava no ?roupeiro?, mas que raio era um "roupeiro" ?? Aprendi mais tarde que é um móvel que serve para colocar a roupa quando não há espaço em cima, ou em baixo da cama.
Mas voltando ao essencial, depois da minha ma~e falecer, deixei de ter o prazer de desarrumar o que estava arrumado, até porque nos dias que correm nem o meu cérebro anda organizado.
Mais pareço um disco rigido completamente fragmentado à espera que alguém se digne a fazer um "defrag". Não me consigo orientar...tou às avessas.